terça-feira, 22 de dezembro de 2015
da conversa dos materiais inertes II
entre o ferro e a pedra,
a palha coscuvilha
no seu costumado leva-e-traz.
em algum instante
comparecerá a maga
fabricando deliciosos repastos
com a inventiva
que só o amor inventa
dentro do que as privações permitem.
nesse momento,
a palha vai ficar caladinha
e arrumar os seus diz-que-disse
no bornal onde guarda as intrigas.
não vai querer servir
para dar de comer às chamas
que, aprisionadas na barriga do fogão,
tagarelam sobre a finitude da vida dos humanos
e espreitam atentas
ao momento em que poderão evadir-se.
o ferro e a pedra entreolham-se
em silêncio,
naquela cumplicidade própria
de quem sabe que não é fogo.
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